O mercado financeiro brasileiro abriu com otimismo nesta quinta-feira (19/02/2026). O dólar recuava 0,11%, cotado a R$ 5,2348, enquanto o Ibovespa abria em alta de 0,13%, aos 186.240 pontos. O ambiente positivo reflete a divulgação do IBC-Br — prévia do PIB — acima do esperado e a proximidade do início do ciclo de corte da Selic pelo Banco Central, com reflexos diretos no custo do crédito ao consumidor e às empresas.
O que está movendo os mercados hoje
Três fatores principais explicam o humor positivo do mercado nesta sessão:
- IBC-Br melhor que o esperado: o índice de atividade do Banco Central caiu apenas 0,2% em dezembro (contra projeção de 0,5% de recuo), sinalizando que a desaceleração da economia é moderada — menos grave do que se temia.
- Perspectiva de corte da Selic em março: o mercado precifica uma redução de 0,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, levando a Selic de 15% para 14,5% ao ano — o que deve reduzir o custo do crédito.
- Dólar no menor nível do ano: com queda de 4,53% acumulada em 2026, o real mais forte reduz pressões inflacionárias importadas, abrindo espaço para o BC cortar juros com mais segurança.
Impacto direto no mercado de crédito
Para consumidores e empresas que dependem de crédito, o cenário desta quinta-feira traz sinais concretos de melhora no horizonte:
- Juros futuros em queda: quando o mercado antecipa corte da Selic, os juros futuros (DI) recuam, o que tende a se refletir nas taxas de empréstimos de médio e longo prazo com algum delay.
- Custo do crédito imobiliário: a queda do dólar reduz a pressão sobre materiais de construção importados e pode facilitar o repasse de taxas menores em financiamentos habitacionais.
- Crédito consignado: embora indexado à Selic, o consignado já opera com as taxas mais baixas do mercado. Com o início dos cortes, há expectativa de redução adicional do teto regulatório.
- Capital de giro para empresas: a melhora das condições financeiras tende a reduzir o spread bancário gradualmente, beneficiando PMEs que dependem de linhas de crédito rotativo.
Ibovespa acumula 15,45% de alta no ano
A bolsa brasileira encerrou 2025 e iniciou 2026 em forte trajetória de alta. Com 15,45% de valorização acumulada no ano até esta data, o Ibovespa reflete a expectativa dos investidores de que o pior do ciclo de aperto monetário ficou para trás. A entrada de capital estrangeiro na bolsa também contribui para o fortalecimento do real frente ao dólar.
Para o cidadão comum, isso pode parecer distante, mas tem efeito concreto: quando a bolsa sobe e o câmbio se aprecia, a economia fica mais saudável, o que tende a ampliar a oferta de crédito e reduzir as taxas cobradas pelos bancos.
Tensões geopolíticas: fator de atenção
Um ponto de cautela no horizonte são as tensões entre EUA e Irã, que elevaram os preços do petróleo mais de 4% na véspera. O barril do Brent fechou a US$ 70,35. Commodities mais caras podem pressionar custos de produção e, indiretamente, a inflação — o que poderia moderar o ritmo de corte dos juros pelo Banco Central.
Especialistas recomendam monitorar esse fator nas próximas semanas, pois um choque no petróleo prolongado pode alterar o planejamento do Copom para 2026.
O que esperar para o crédito nos próximos meses
Com base no cenário atual, o roteiro mais provável para o crédito em 2026 é:
- Março: primeiro corte da Selic para 14,5% — redução imediata nos juros de financiamentos vinculados à taxa básica.
- Segundo trimestre: novos cortes graduais, com Selic podendo alcançar 13,5% a 13% até o fim do ano, conforme o mercado projeta.
- Segundo semestre: taxas de crédito pessoal e consignado devem iniciar queda mais perceptível, beneficiando trabalhadores CLT e aposentados.
- Crédito imobiliário: com queda da Selic e câmbio estável, as condições para financiamento habitacional tendem a melhorar, especialmente fora do SBPE.
Em resumo
O mercado financeiro desta quinta-feira dá sinais claros de que o Brasil caminha para um ciclo de redução de juros em 2026. Dólar em queda, Ibovespa em alta e prévia do PIB acima do esperado formam um tripé favorável para a redução gradual do custo do crédito ao longo do ano. Quem pode aguardar para contratar financiamentos de longo prazo deve se beneficiar de taxas menores no segundo semestre.