O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a "prévia do PIB", apontou crescimento de 2,5% da economia brasileira em 2025 — número abaixo dos 3,7% registrados em 2024 e o pior desempenho em cinco anos. Para o mercado de crédito, o dado confirma que a Selic a 15% ao ano está cumprindo seu papel de desacelerar a atividade, com reflexos diretos nas taxas e na oferta de crédito para 2026.

Vista aérea do centro financeiro de São Paulo representando o crescimento econômico do Brasil em 2025
Agropecuária (13,1%), Serviços (2,1%) e Indústria (1,5%) foram os pilares do crescimento brasileiro em 2025, segundo o IBC-Br do Banco Central.

O que é o IBC-Br e por que ele importa para o crédito

O IBC-Br é calculado mensalmente pelo Banco Central e reúne estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos. Diferente do PIB oficial do IBGE — que só será divulgado em 3 de março —, o IBC-Br não incorpora o lado da demanda, mas serve como termômetro antecipado da atividade econômica.

Para o mercado de crédito, esse indicador é crucial porque é uma das ferramentas que o Copom usa para calibrar a taxa Selic. Quando o IBC-Br aponta desaceleração, o BC interpreta que a política monetária restritiva está surtindo efeito — abrindo espaço para, no futuro, reduzir os juros e aquecer o crédito.

Desempenho por setor em 2025

  • Agropecuária: +13,1% — forte safra 2024/25, condições climáticas favoráveis e exportações recordes.
  • Serviços: +2,1% — crescimento puxado por serviços empresariais, transportes e comércio, sustentados pela renda das famílias e digitalização.
  • Indústria: +1,5% — desempenho mais modesto, refletindo o custo elevado do capital de giro com juros na casa dos 15%.

Em dezembro de 2025, o índice recuou 0,2% na comparação mensal — resultado melhor do que os 0,5% de queda projetados pelo mercado. O quarto trimestre fechou com alta de 0,4% sobre o terceiro trimestre.

O que a desaceleração significa para quem busca crédito

A moderação do crescimento tem efeitos práticos para consumidores e empresas no mercado de crédito:

  • Taxas de juros permanecem elevadas no curto prazo: enquanto o BC não reduzir a Selic, as taxas de empréstimos consignados, pessoais e imobiliários seguem pressionadas.
  • Maior rigor nas análises de crédito: com atividade econômica mais lenta, os bancos tendem a ser mais criteriosos na concessão de crédito, especialmente para setores mais vulneráveis.
  • Oportunidade no consignado: o crédito consignado — atrelado à folha de pagamento — continua sendo a modalidade mais barata e acessível, independentemente do ciclo econômico.
  • Perspectiva de alívio no segundo semestre: o Banco Central já sinalizou início do ciclo de corte da Selic, com redução de 0,5 p.p. esperada para março, abrindo caminho para taxas menores ao longo de 2026.

Quando o crédito deve ficar mais barato

O mercado projeta que o Banco Central inicie o ciclo de afrouxamento monetário em março de 2026, com corte de 0,5 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano. A expectativa é de continuidade dos cortes ao longo do ano, o que deve impactar positivamente as taxas de empréstimos e financiamentos no segundo semestre.

Para quem está contratando crédito agora, especialistas recomendam dar preferência a modalidades de taxa fixa — especialmente o consignado —, para não ficar exposto à volatilidade. Já para quem pode aguardar, a perspectiva de queda dos juros ao longo de 2026 sugere que financiamentos de longo prazo podem ficar mais baratos nos próximos meses.

PIB oficial sai em março: o que esperar

O IBGE divulgará o resultado oficial do PIB de 2025 em 3 de março. A expectativa consolidada é de crescimento em torno de 2,3% a 2,5% — em linha com o IBC-Br. O dado confirmará a desaceleração frente a 2024, mas ainda representará um resultado positivo para a economia brasileira em um ambiente global de incertezas.

O Ministério da Fazenda estima expansão de 2,3% para o PIB de 2025. O BC, por sua vez, vê a moderação do crescimento como "elemento necessário para a convergência da inflação à meta", fixada em 3%.

Em resumo

O IBC-Br confirmou crescimento de 2,5% da economia em 2025 — desaceleração esperada, mas menor que o temido. Para o mercado de crédito, o cenário aponta para taxas ainda elevadas no curto prazo, com início de alívio a partir dos cortes da Selic previstos para março. Consignado e crédito com taxa fixa continuam sendo as melhores apostas para quem precisa de crédito agora.